Por Ananda Portilho
A rotina de Guilherme Araújo Leal continua puxada, mas desta vez as longas horas de estudo e atividades são para dar continuidade ao primeiro sonho que ele já realizou: passar em uma universidade pública para o curso de Medicina. Ele é um dos 40 calouros que há um mês iniciaram a graduação na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) Câmpus Augustinópolis.
Para Guilherme, a notícia foi ainda melhor: foi aprovado para o tão sonhado curso na cidade onde vive desde os dois anos de idade e da qual carrega o gentílico augustinopolino. “É uma felicidade sem explicação poder fazer medicina em casa, poucos têm essa oportunidade”, contou o garoto de 19 anos que é filho dos enfermeiros Marcus César da Silva Leal e Kelly Cristina Araújo.
Foi dos próprios pais que veio a inspiração para seguir a área da saúde. “Sempre quis fazer Medicina, pois tive como espelho meus pais. Os dois são enfermeiros e meu pai, atualmente, também cursa Medicina. Inspirei-me neles, sei que a minha futura profissão vai me permitir salvar vidas”, compartilhou o jovem.

Augustinopolino juntamente com colegas de turma durante aulas no Câmpus Augustinópolis (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal)
Há um mês na nova rotina, o augustinopolino revela felicidade e satisfação com a nova fase. “[O curso de Medicina na Unitins] realmente superou minhas expectativas. A estrutura e os equipamentos são novos, os professores são excelentes, é tudo organizado. Acredito que esse contato tão próximo com todos os servidores será um diferencial na nossa graduação”.
Trajetória
O garoto colecionou aprovações em Medicina, mas optou por estudar em casa, na Unitins/Câmpus Augustinópolis
O caminho não foi fácil. Guilherme conta que acordava todos os dias às 5h30 para estar no cursinho às 7h, lugar onde ficava até às 21h na reta final da preparação para o vestibular da Unitins. “Foi uma rotina bastante cansativa, mas, com certeza, valeu a pena o resultado”, confessa o garoto que atribui a vitória ao apoio da família. “Meus maiores incentivadores foram meus pais, meu padrasto e minha namorada. Sem o apoio financeiro e emocional isso não seria possível”.
Para a mãe, a enfermeira Kelly Cristina Araújo, a trajetória estudantil do filho já apontava para um futuro promissor. “Ele sempre foi muito estudioso e focado. Em todas as escolas que passou conseguiu medalhas, ficando entre os mais dedicados. Medicina era o sonho dele e ficamos muito orgulhosos quando ele foi aprovado e ainda mais felizes por ser em Augustinópolis, na nossa cidade. Depois descobrimos que ele foi o primeiro augustinopolino a ingressar no curso na Unitins, aí o orgulho e a emoção ficam ainda maiores. Só gratidão a Deus”, conta.

Guilherme e sua mãe Kelly no primeiro dia de aula da graduação, em 3 de fevereiro
O pai também compartilha o orgulho que sente do filho, alguém que ele descreve como “dedicado nos estudos e respeitoso com os pais e as demais pessoas”. Seu Marcus César da Silva Leal conta que se orgulha de Guilherme “servir de inspiração para outros jovens, provando que é possível alcançar esse sonho, basta acreditar e se esforçar”.
O resultado positivo alcançado pelo filho do Marcus e da Kelly desperta a curiosidade nas pessoas. “Alguns amigos entraram em contato comigo perguntando o que ele fez, como era a rotina de estudos e pedindo até mesmo o contato do Guilherme para saber mais sobre a metodologia de estudos dele”, compartilhou o pai.

Guilherme com sua a namorada e familiares
O augustinopolino Guilherme Araújo Leal ainda tem muitos sonhos e “fico feliz por saber que, no futuro, poderei contribuir como profissional para essa região que precisa de bons médicos e onde conheço de perto a realidade do Bico do Papagaio”.

Guilherme e seu pai Marcus
O reitor da Unitins, Augusto Rezende, destacou que “a população da região e, agora, de Augustinópolis, começa a ter acesso ao curso. Já era prevista uma melhoria do sistema educacional do município e da região em função da instalação do curso de Medicina, então você tem um nível mais alto de entrada e, consequentemente, o sistema educacional e o próprio candidato precisam acompanhar esse ritmo. O resultado do Guilherme mostra que o projeto tem dado certo, estimulando os alunos do ensino médio a se prepararem cada vez mais, assim como as escolas no aprimoramento das metodologias para preparar melhor esses jovens para a Universidade. Isso é desenvolvimento regional, é o estímulo à retenção de capital intelectual por meio da educação”.