Esperantina (TO), 28 de agosto de 2025 – Uma audiência pública convocada pela Prefeitura de Esperantina para discutir a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) no Bico do Papagaio transformou-se em um forte ato de resistência contra a proposta.
O detalhe mais marcante: nenhum representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo projeto, compareceu ao encontro, deixando o palco aberto para críticas contundentes de prefeitos, vereadores, produtores rurais e lideranças comunitárias.
Clima de insatisfação
O espaço lotado refletia a tensão da comunidade. A cada fala, repetia-se a mesma posição: defesa da preservação ambiental, mas rejeição ao modelo de APA proposto pelo governo federal.
Autoridades destacaram o medo de insegurança jurídica, as restrições produtivas e os riscos para famílias que dependem diretamente da agricultura e da pesca.
O discurso da prefeita

Em um tom firme, a prefeita Maria Antonia Rodrigues dos Santos Silva (Tota do Francimar) sintetizou o sentimento coletivo:
“Amigos e amigas, estamos aqui hoje para discutir o futuro do Bico do Papagaio, e quero reafirmar de forma muito clara o meu posicionamento contrário à criação do Monumento Natural e da Área de Proteção Ambiental. Esta proposta, como está sendo colocada, coloca em risco centenas de famílias, gera insegurança jurídica e dificulta o acesso ao crédito rural.”
A fala da gestora foi recebida com aplausos e gritos de apoio da plateia.
Vozes uníssonas contra a APA

O vereador Lucas Ribeiro lembrou que participou da consulta pública anterior, mas que, após analisar relatórios técnicos, se posicionou contra:
“Eu não tenho o olhar técnico, mas tenho o olhar do pequeno e do grande produtor. E é por isso que digo: sou contra a criação dessa área. Precisamos preservar, sim, mas sem limitar os nossos produtores e sem travar a economia da região.”
Na mesma linha, o presidente da FAET (Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins), Luiz Cláudio Faria, fez um pronunciamento forte, recheado de dados:
“Hoje, o Tocantins já tem 27 milhões de hectares, e mais da metade desse território está preservado. Quem mais preserva o meio ambiente nesse Estado é o produtor rural. Não precisamos de mais áreas de conservação impostas de cima para baixo.”
Ele lembrou que muitas unidades já existentes não possuem sequer plano de manejo e que agricultores enfrentam embargos até para plantar mandioca ou vender gado.
Ausência do ICMBio gera críticas
Um dos pontos mais comentados durante a audiência foi a falta de representantes do ICMBio. Convidado oficialmente, o órgão não enviou nenhum técnico ou gestor para debater com a comunidade, o que aumentou a insatisfação dos presentes.
Encaminhamentos
Entre os presentes, a audiência contou com a prefeita de Esperantina, Maria Antonia Rodrigues dos Santos Silva, a prefeita de Buriti, Lucilene, vereadores da região e os deputados estaduais Amélio Cayres e Wiston Gomes, que se manifestaram firmes contra a proposta de criação da APA. Durante o evento, além de colher assinaturas da população contra o projeto, as autoridades garantiram que vão mover céus e terras para impedir a implementação da área de preservação, com o deputado Amélio destacando que já articula ações em Brasília e que, com união e organização dos municípios, será possível barrar o projeto.
Ao final, prefeitos, vereadores, sindicatos e federações reforçaram que o posicionamento do Bico do Papagaio é unânime: contra a criação da APA.
As manifestações devem ser encaminhadas formalmente ao ICMBio e ao governo federal, como forma de pressão política e social para barrar a proposta.