A pressão alta costuma se instalar sem chamar atenção. Sem dor ou sinais claros, pode evoluir por anos até provocar consequências graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Esse comportamento discreto faz com que muitas pessoas só descubram o problema quando já há comprometimento da saúde.
O alerta ganha ainda mais relevância após o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, celebrado em 26 de abril, que chama atenção para os riscos e a importância do diagnóstico precoce.
Para o cardiologista intervencionista da Rede Medical, Bernardo Kremer, o fato de não causar sintomas é o principal desafio no controle da doença. “Na imensa maioria das vezes, a hipertensão não dá sintoma nenhum. Muitas pessoas convivem com a pressão elevada por anos sem perceber, e a primeira manifestação pode ser um evento grave, como infarto ou AVC. Por isso, o acompanhamento é fundamental para evitar essas complicações”, explica.
A condição é caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial, geralmente acima de 140 por 90 mmHg (popularmente conhecido como 14 por 9), embora os parâmetros possam variar conforme o perfil do paciente. Em pessoas com maior risco cardiovascular, o controle precisa ser mais rigoroso.
Impactos que vão além do coração
Sem controle adequado, o quadro pode afetar diferentes órgãos e sistemas do corpo. Entre as principais consequências estão a obstrução das artérias do coração, que pode levar à angina e ao infarto, além de insuficiência cardíaca, comprometimento da função renal, aumento do risco de AVC e doenças vasculares que atingem a circulação em braços e pernas. Também está associado ao desenvolvimento de aneurismas, especialmente na aorta, condição que pode ser fatal.
O risco de desenvolver o problema envolve fatores genéticos e hábitos do dia a dia. Pessoas com histórico familiar têm maior predisposição, mas o estilo de vida exerce papel decisivo. Sedentarismo, consumo excessivo de sal, obesidade, tabagismo e ingestão frequente de álcool estão entre os principais fatores associados.
Embora seja mais comum a partir dos 50 anos, pode surgir mais cedo. Por isso, medir regularmente é uma das formas mais simples de identificar alterações, muitas vezes durante consultas de rotina.
Rotina e prevenção fazem a diferença
A prevenção e o controle passam por mudanças consistentes no estilo de vida. Alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal, prática regular de atividade física e controle do peso são medidas essenciais. Um dos modelos mais recomendados é a dieta DASH (sigla em inglês para Dietary Approaches to Stop Hypertension), que prioriza o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos ricos em nutrientes como potássio, cálcio e magnésio, ajudando a prevenir e controlar a hipertensão.
Para quem já recebeu o diagnóstico, o tratamento costuma ser contínuo. “Na maioria dos casos, o uso de medicação é para a vida toda. Existem exceções, mas, de forma geral, o controle precisa ser mantido de forma permanente”, reforça o especialista.
Mesmo sem sintomas aparentes, o problema exige atenção. O acompanhamento médico regular é o que permite identificar a tempo e evitar complicações graves.