Marcella Silva, de 22 anos, deu à luz na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região sul de Palmas, após ter a internação negada três vezes no Hospital e Maternidade Dona Regina. O procedimento precisou ser improvisado, pois a UPA não conta com serviço de obstetrícia. A família questiona a postura dos profissionais da maternidade estadual.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que a paciente foi atendida nos três dias em que procurou a maternidade e que, nos dias 25 e 26 de junho, ela chegou a ser avaliada, mas não apresentava os critérios clínicos para internação, por isso recebeu orientações para que retornasse à unidade em caso de qualquer intercorrência (veja a nota completa abaixo).
Os problemas começaram no dia 20 de junho, quando Marcella procurou a maternidade com dores e sangramento. No hospital, ela foi informada de que os sintomas eram normais, pois o útero estava amolecendo. “Estava há dias sem conseguir andar por causa das dores fortes na pelve. Foram três dias de sufoco indo para a maternidade”.
Segundo a mãe, no segundo dia em que procurou a maternidade, ainda estava com dores e teve perda de líquido, mas a equipe médica informou que era apenas um corrimento. No terceiro dia, ela voltou à maternidade depois de passar o dia acamada, sem conseguir andar.
“Cheguei lá e falaram que ainda não era trabalho de parto, sendo que minha data provável do parto era agora, para o dia 30 de junho. Sempre que eu ia, eles falavam que eu estava com 38 semanas, sendo que eu já estava prestes a fazer 40 semanas”, explicou Marcella.
Marcella mora em Guaraí e estava hospedada na casa da cunhada Karinny Alves, que fica no Jardim Taquari, região sul de Palmas. Com as contrações intensificando, a mãe decidiu procurar atendimento na UPA Sul. A jovem deu à luz ao bebê Victor Hugo no sábado (27), na sala de emergência da unidade.
“Quem fez o parto foram dois pediatras e enfermeiros. O médico [da UPA] falou: ‘Meu Deus, não tinha me preparado para fazer um parto’. Eles improvisaram tudo, usaram biombos para garantir a privacidade, e graças ao suporte deles o bebê nasceu bem, apesar de estar com o cordão enrolado no pescoço”, contou Karinny.
A Secretaria de Saúde de Palmas informou que as equipes da UPA são capacitadas para prestar o atendimento inicial em situações de urgência e emergência, mas que as unidades não são referência para a realização de partos. Segundo o município, a rede municipal de saúde oferece serviço de pré-natal e acompanhamento da gestante durante toda a gravidez.
Conforme a Prefeitura de Palmas, um Centro de Parto Normal (CPN) está sendo construído na 104 Norte, próximo ao Hospital Dona Regina. A previsão é que a unidade atenda gestantes de baixo risco e realize 900 partos por ano (veja nota completa abaixo).

‘Política médica’
Conforme a cunhada, a equipe médica da maternidade teria informado que a internação só ocorreria quando a gestação completasse 41 semanas. “Pedimos, pelo amor de Deus, para internar, porque ela não conseguia mais andar, mas disseram que, pela política médica, ela deveria aguentar e esperar”, afirmou.
Depois do parto, o bebê e a mãe foram encaminhados para o Hospital Dona Regina para que os procedimentos do parto fossem finalizados. Marcela também relatou que, ao chegar na maternidade, teria ouvido comentários sobre o parto ter ocorrido em uma UPA.
“Ficaram questionando por que o parto não foi concluído lá, inclusive com a retirada da placenta, sendo que na UPA não tinha obstetra”, desabafou a mãe.
Marcella e o bebê ficaram em observação clínica e passaram por exames de rotina para garantir que ambos estivessem estáveis após o parto improvisado. Os dois receberam alta médica na tarde desta segunda-feira (29).
Íntegra da nota da Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) esclarece que a paciente citada foi prontamente atendida e avaliada pela equipe médica do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR) nas três ocasiões em que procurou a unidade.
A paciente foi avaliada no HMDR nos dias 25 e 26 de junho e, por não apresentar critérios clínicos para internação, uma vez que o trabalho de parto não estava em evolução, recebeu as orientações necessárias, incluindo o retorno imediato à unidade em caso de qualquer intercorrência, conforme os protocolos assistenciais. O parto ocorreu na madrugada do dia 28.
A SES-TO ressalta que o HMDR realiza os atendimentos em conformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), os protocolos técnicos obstétricos e os fluxos assistenciais vigentes, garantindo que as condutas sejam adotadas com base na avaliação clínica e na segurança da mãe e do bebê.