Alunas e professoras da rede estadual participam de imersão do programa Futuras Cientistas

Enquanto a maioria curte as férias e o recesso escolar, centenas de alunas do ensino médio de todo o país participam de uma imersão no mundo da ciência com o programa Futuras Cientistas, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Do Tocantins, participam seis alunas e quatro professoras da rede estadual classificadas no processo seletivo realizado em 2023.

Uma das etapas do programa, o Módulo Imersão Científica 2024, teve início no dia 4 e encerra no próximo dia 26, realizado de forma on-line na plataforma Google Meet.

O objetivo do programa é estimular o interesse e promover a participação de mulheres, professoras e estudantes, do ensino médio, nas áreas de Ciência e Tecnologia, por meio de sua aproximação a centros tecnológicos e instituições de ensino e pesquisa. Em 10 anos, 70% das participantes do programa foram aprovadas no vestibular. Destas, 80% escolheram cursos nas áreas de Ciência e Tecnologia.

E o programa está dando certo para as discentes tocantinenses, é o que confirma a estudante da Escola Estadual São Tomás de Aquino, de Tupiratins, Ester de Souza Souto, que foi influenciada a participar do programa pela professora Claodeny Rodrigues. “Com minha classificação, me senti muito alegre e privilegiada por ter sido incluída na Imersão Científica de 2024. Estou absorvendo muitos conhecimentos e vivenciando ótimas experiências, que podem me influenciar a ser uma cientista determinada a romper o preconceito do englobamento de mulheres na ciência”, afirmou.

Para a professora Lenilda Batista de Souza, do Colégio Estadual Dom Alano, de Palmas, o programa oferece uma oportunidade única para meninas e mulheres da rede pública de ensino se envolver com temas científicos relevantes e atuais. A professora destaca a importância no aspecto de despertar o interesse pela ciência, ao focar em temas práticos e de relevância imediata, como o aproveitamento de resíduos de alimentos. “O programa estimula a curiosidade e o interesse pela ciência, isso é essencial para cultivar uma nova geração de cientistas. As áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática têm sido historicamente dominadas por homens. Iniciativas como o “Futuras Cientistas” promovem a participação feminina, contribuindo para uma maior diversidade e inclusão nestes campos”.

Programação

Dessa segunda-feira, 15, até sexta-feira, 19, o tema trabalhado no módulo será o aproveitamento de Biomassa residual do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Produtos Naturais e Biomassa (LapNaBio), sob a coordenação da professora do programa de Pós Graduação de Ciências do Ambiente (PPGCiamb) da UFT, Elisandra Scapin.

Para a próxima semana, 22 a 26, será apresentado a análise da Biomassa Residual de bioprodutos a partir de resíduos, com a professora do curso de Graduação em Engenharia de Alimentos da UFT, Magale Karine Diel Rambo. Na primeira semana, de 8 a 12, o tema apresentado foi o aproveitamento integral dos alimentos, sob a orientação da professora do curso de Graduação em Engenharia de Alimentos e dos cursos de Pós Graduação PPGCTA e PPGCiamb da UFT, Patrícia Martins Guarda.

Equipe de Cientistas da UFT

Para a responsável pelo programa no Tocantins, professora Patrícia Martins Guarda, o programa é importante para mostrar um pouco da ciência brasileira, quebrar estereótipos e “mostrar que somos poucas, mas que impactamos muito. O projeto aqui no Tocantins este ano está lindo e ele vem com o objetivo de promover a formação e o envolvimento interdisciplinar nas alunas, promover a consciência social e ambiental”.

A professora ressalta que este ano a temática trata do aproveitamento de resíduos de alimentos e visa à capacitação das alunas de escola pública no Tocantins, despertando nelas a experimentação e o senso crítico, incentivando a pesquisa e as possibilidades para resolução dos problemas atuais. “Eu espero que as futuras cientistas de hoje sejam o presente de sempre e que elas saibam que o lugar de mulher é onde ela quiser”, completa.

A doutoranda do PPGCiamb, Mariana de Souza Borges, participa da equipe de execução do programa no Tocantins. Ela diz que gostaria de ter tido esse incentivo do programa, com bolsa de estudo e esse contato com a ciência de forma educativa, ainda no Ensino Médio. “Não tive, mas fico feliz em participar do programa, de ser agente de transformação, de poder participar e mostrar meu dia a dia, do que a gente faz como cientistas, das possibilidades da nossa região e do nosso país. Ser um exemplo de mulher cientista é muito bacana”.

Participação tocantinense

Do Tocantins, participam desta edição seis alunas, Ester de Souza Souto da Escola Estadual Tomás de Aquino, de Tupiratins; Bianca Amaral de Oliveira e Ana Gabryella Costa Sales do Colégio Desembargador Virgílio Melo de Franco, de Paranã; Anna Karolina de Carvalho Xavier Pinho, do Centro de Ensino Médio Oquerlina Torres, de Guaraí; Lamiris Faria dos Santos e Thais Renata Prestes de Oliveira, do Centro de Ensino Médio Bom Jesus, de Gurupi. E quatro professoras, Jakellyne Matos da Paz, do Colégio Militar do Tocantins Unidade IV, da Superintendência Regional de Educação (SRE) de Araguatins; Lenilda Batista de Souza do Colégio Dom Alano, SRE Palmas; Sterlâyne Alexandra da Silva, do Colégio Estadual de Araguacema, e Ianca dos Santos Medrado do Colégio Estadual Idalina de Paula, da SRE de Paraíso do Tocantins.

A vertente classificada foi a área ciências/química/alimentos ministrada por professoras dos cursos de Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos e Programa de Pós Graduação de Ciências do Ambiente (PPGCiamb) da Universidade Federal do Tocantins (UFT), instituição participante. O objetivo é incentivar as alunas a aprender e identificar as diferentes possibilidades de aproveitamento integral de alimentos, ou aplicação de resíduos em diferentes tecnologias, bem como a produção de bioprodutos.

Nesta edição, participam do programa 470 pessoas de todo o país, alunas do 2º ano do ensino médio da rede pública de ensino e professoras do ensino médio da rede pública estadual. O Módulo Imersão Científica 2024 do Programa Futuras Cientistas terá duração de 20 dias úteis, com carga horária total de 80 horas destinadas ao processo de familiarização da estudante e professora com a dinâmica da pesquisa científica.

Além da Imersão Científica, o Futuras Cientistas é composto de outras três etapas, que serão realizadas ao longo de 2024: banca de estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mentoria e estágios supervisionados.

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